Longe se situam os tempos
Onde esta coisa pura e bela
Que em torno de um remoinho
Circula num barco à vela
Adormecido em tempos esteve
De um simples nada acordou
Leve como uma pena
Neste barco reembarcou
Nesta atmosfera queimada
Tu me foste acompanhando
Sem saber o que me espera,
Navego, vou sonhando!

Pela tua linda beleza
Eu me apaixonei
E neste lindo barco
À deriva continuarei
Esta é a pura beleza
É a tua beleza (pura)
Este é o reflexo dos meus olhos
Embelezados e ofuscados
Por tão nobre sentimento
Olhos que refletem
A beleza e o brilho
Que me ofusca, me ilumina
E fascina
Me despedaça e me pica
E que me fura o coração
E uma brisa se levanta
Suave... leve...
Pura... livre
Livre como o ar que sai do balão.
Tu és a luz que me ilumina
Nos meus sonhos perdidos
Onde me perco na procura
Da paz, da pomba...
De uma pomba branca e bela

Este é outro pedaço de mim
Que hoje está feliz
Finalmente me libertei...
Os meus olhos encontrei...
Obrigado
Estou a ficar cansado
Falta pouco para dormir
Apenas me falta agradecer
A este carreiro alcatroado
Que noite após noite
As pernas me vai libertando
E os pensamentos movimentando
Nele sonho e acordo
Agarrado ao sonho
Com o qual (por vezes) não sonho
Nele aprendo e reflito
Penso e medito
Corro e camino
E me encontro novamente
Perdido a pensar em ti
Neste carreiro ensombrado
Ténue e embriagado
Pelo brilhante nevoeiro
E para começo do recomeço
Não está nada nada
Está um pouco muito
Talvez mais que um pouco
Talvez menos que muito
Agradeço à frutinha
Que me embriaga a censura
E liberta a minha alma
Aquecendo esta veia
Com beleza pura (a tua)
Este é o material recalcado
Que agora se liberta para nos ouvir
Os comentários belos ou retraídos
Dependentes de amor
Agora sonho,
Já está na hora
De sonhar
Num sonho real...