Monday, April 10, 2006

Tempestade


Quero começar por descrever
Por lindas palavras
A Beleza
Que meus olhos
Jamais alcançaram
No amor do nosso tempo
Quando relâmpagos se vêem
E trovões se ouvem
Ao longe
No brilho dos teus olhos
E algo mais

Passamos noites e horas
Dias e segundos juntos
Trocamos beijos e sorrisos
Olhares e palavras
Que nos alegram
Que nos magoam.
Afastamo-nos lentamente
Damos um passo atrás
E seguimos nosso rumo.

Faço-me à estrada
Lentamente
Numa caminhada
Hoje mais longa e dura
O chão fogemente velozmente
Segundo após segundo
Milímetro após milímetro
No suplício do tempo
Que não me encontra nunca
Ou não me deixa encontrar

Na tempestade da madrugada
Bons ventos
Vão chegando de longe.
Dois passos à frente do tempo
Que me deixou
Entregue a mim p´roprio
Quando procuro redenção
E tu me absolves
Com um beijo
Morno, quente
Bem fervido
Fruto do momento
Na época do nosso tempo!

Nossos corpos se juntam
Noite fora sem dormir
Longe de ti,
Longe de mim.
Ficamos juntos agora
Amanhã e para sempre
Serás sangue do meu sangue
Quando em ti me sinto
No coração ou no corpo
E em todos os poros
Que respiram amor
Na tua pele macia
Que toco
Quando te beijo
Ou te olho
No fundo da tua alma!

Atentamos ai pudor
De olhos que nos reprimem
Quando nos vêem e não nos sentem
Juntos na maré do tempo
Na brisa do vento
Que sopra forte
E altera a corrente
Do marinheiro solitário no mar alto
Encontramo-nos num beijo
Solitário e baleado
Por olhares que não nos vêem
Subimos as escadas
E estradas
Rumo ao paraíso!

Pecamos neste mundo
De punições constantes
À janela da nossa alma
A língua do nosso amor
Entregamo-nos mutuamente
Em beijos ternos e meigos
Suspiros leves, inaudíveis
A um mortal ser humano
Em beijos já secundados
Por profundos gemidos...
Que ninguém ouve
Ninguém sente
Apenas nós
E o nosso amor
Aqui tão perto
E lá tão longe

Friday, April 07, 2006

Amar


Voltei aqui
A essa casa que tão bem conheço
Sem nada para dizer
De especial
Apenas para te ver
E tua voz ouvir
Cem lágrimasa cair
No meu rosto
Sem te ver.

Volto, piso de novo
O tapete desta sala
Que nos sentiu cair
A rir...
De felicidade!

Escrevo nesta folha
Enquanto por ti espero.
Que desças...
E interrompas esta solidão
Que nem a Mia me tira!

Ela está perto de ti
Aí por cima
E eu só,
Com uma caneta e um guardanapo
A tentar
Escrever de novo
Poesia para ti.

Bem sei que não consegui
O que em poemas escrevi
Mas não deixarei de tentar
Provar
A minha forma de amar
E de estar
Inocentemente
Pela minha saúde,
Sem te querer mal.



Ela volta, mas tu não!!
Por ti eu espero
Continuar uma relação
Que negas existir
E eu me nego a acreditar
Que o tempo nos vai separar.
Parece que vais descer
E eu vou deixar de escrever
E este poema acabar
Apenas a dizer
Para rimar
Que te quero e vou...
AMAR!!!

Sombra





Sou aquela que passa
E ninguém vê...
Sou a que chamam de triste
Sem o ser...
Sou a que chora
Sem saber porquê...
Sou talvez
A visão
Que alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo
P'ra me ver
E que nunca na vida
Me encontrou"

"Quem nos deu asas
Para andar de rastos?
Quem nos deu olhos
Para ver os astros
Sem nos dar os braços
Para os alcançar"

Ultimo acto


E por acidente te escrevo,
Sentado ou deitado
Numa cama ou no chão,
Com ou sem colchão,
E com uma dor no...
No peito,
Assim me encontras
Quando dou um último suspiro
E me falha a voz
Num último ... grito!!!


Foi por um rasgo que comecei
E num outro acabarei
Por tua presença pedir
Quando longe estás,
E não chegas perto
Ou não te deixas chegar!
Será que por medo de amar??

Assim me vês
Paraliticamente paralisado
Na eminência da satisfação
De um último desejo,
Enquanto vivo
E te procuro...
Tu caminhas lá longe!!!

Agora chegou o tempo de partir
Para as lembranças sofríveis
De erros cometidos
E oportunidades de amor perdidas!!!
Neste tempo que não resultou,
E no próximo que não resultará.
No limite eu te escrevo,
E não mais te desejo.
Assim nasce um poeta...
Um sonhador...
Assim morre um sonho...
Por acidente...



....
....
...



Espero voltar a conduzir
Desta vez,
Um outro barco
Num outro mar
Num outro tempo
Que me espere...
Por continuar a viver
Talvez volte a conduzir-te,
Mas... com outros remos
Com outros cuidados
Voltando, às memórias do tempo
Para não me afogar de novo
Em tempestades previstas.


Por imagens comecei
O que por palavras vou acabar,
Sem andar ao sabor do vento,
Num barco já sem vela
Furada por um corvo
Que comigo não foi justo!
Neste tribunal vivo
Apresentarei recurso
E espero a absolvição
Na certeza
De mais rico ficar...
Empiricamente falando
Empiricamente escrevendo!

Assim sobreviverei
Porque sem vela,
À deriva vou continuar
No sentido exacto do tempo
Que me levará noutra viagem

Com um beijo me despeço
Do amor que já esqueci!