Tempestade

Quero começar por descrever
Por lindas palavras
A Beleza
Que meus olhos
Jamais alcançaram
No amor do nosso tempo
Quando relâmpagos se vêem
E trovões se ouvem
Ao longe
No brilho dos teus olhos
E algo mais
Passamos noites e horas
Dias e segundos juntos
Trocamos beijos e sorrisos
Olhares e palavras
Que nos alegram
Que nos magoam.
Afastamo-nos lentamente
Damos um passo atrás
E seguimos nosso rumo.
Faço-me à estrada
Lentamente
Numa caminhada
Hoje mais longa e dura
O chão fogemente velozmente
Segundo após segundo
Milímetro após milímetro
No suplício do tempo
Que não me encontra nunca
Ou não me deixa encontrar
Na tempestade da madrugada
Bons ventos
Vão chegando de longe.
Dois passos à frente do tempo
Que me deixou
Entregue a mim p´roprio
Quando procuro redenção
E tu me absolves
Com um beijo
Morno, quente
Bem fervido
Fruto do momento
Na época do nosso tempo!
Nossos corpos se juntam
Noite fora sem dormir
Longe de ti,
Longe de mim.
Ficamos juntos agora
Amanhã e para sempre
Serás sangue do meu sangue
Quando em ti me sinto
No coração ou no corpo
E em todos os poros
Que respiram amor
Na tua pele macia
Que toco
Quando te beijo
Ou te olho
No fundo da tua alma!
Atentamos ai pudor
De olhos que nos reprimem
Quando nos vêem e não nos sentem
Juntos na maré do tempo
Na brisa do vento
Que sopra forte
E altera a corrente
Do marinheiro solitário no mar alto
Encontramo-nos num beijo
Solitário e baleado
Por olhares que não nos vêem
Subimos as escadas
E estradas
Rumo ao paraíso!
Pecamos neste mundo
De punições constantes
À janela da nossa alma
A língua do nosso amor
Entregamo-nos mutuamente
Em beijos ternos e meigos
Suspiros leves, inaudíveis
A um mortal ser humano
Em beijos já secundados
Por profundos gemidos...
Que ninguém ouve
Ninguém sente
Apenas nós
E o nosso amor
Aqui tão perto
E lá tão longe

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