Friday, April 07, 2006

Ultimo acto


E por acidente te escrevo,
Sentado ou deitado
Numa cama ou no chão,
Com ou sem colchão,
E com uma dor no...
No peito,
Assim me encontras
Quando dou um último suspiro
E me falha a voz
Num último ... grito!!!


Foi por um rasgo que comecei
E num outro acabarei
Por tua presença pedir
Quando longe estás,
E não chegas perto
Ou não te deixas chegar!
Será que por medo de amar??

Assim me vês
Paraliticamente paralisado
Na eminência da satisfação
De um último desejo,
Enquanto vivo
E te procuro...
Tu caminhas lá longe!!!

Agora chegou o tempo de partir
Para as lembranças sofríveis
De erros cometidos
E oportunidades de amor perdidas!!!
Neste tempo que não resultou,
E no próximo que não resultará.
No limite eu te escrevo,
E não mais te desejo.
Assim nasce um poeta...
Um sonhador...
Assim morre um sonho...
Por acidente...



....
....
...



Espero voltar a conduzir
Desta vez,
Um outro barco
Num outro mar
Num outro tempo
Que me espere...
Por continuar a viver
Talvez volte a conduzir-te,
Mas... com outros remos
Com outros cuidados
Voltando, às memórias do tempo
Para não me afogar de novo
Em tempestades previstas.


Por imagens comecei
O que por palavras vou acabar,
Sem andar ao sabor do vento,
Num barco já sem vela
Furada por um corvo
Que comigo não foi justo!
Neste tribunal vivo
Apresentarei recurso
E espero a absolvição
Na certeza
De mais rico ficar...
Empiricamente falando
Empiricamente escrevendo!

Assim sobreviverei
Porque sem vela,
À deriva vou continuar
No sentido exacto do tempo
Que me levará noutra viagem

Com um beijo me despeço
Do amor que já esqueci!

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